O câncer de endométrio, também conhecido como câncer do corpo do útero, é um dos principais tumores ginecológicos que acometem as mulheres, especialmente após a menopausa.
Nos últimos anos, a medicina avançou muito no entendimento dessa doença. Hoje, além do diagnóstico precoce, novas formas de classificação molecular e tratamentos inovadores, como a imunoterapia, têm transformado a forma como o câncer de endométrio é tratado.
O que é o câncer de endométrio?
O endométrio é a camada interna que reveste o útero. É esse tecido que se modifica ao longo do ciclo menstrual e descama durante a menstruação.
Quando as células do endométrio começam a se multiplicar de forma desordenada, pode surgir o câncer de endométrio. Esse tumor é considerado o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e está entre os mais frequentes entre as mulheres no mundo.
A incidência da doença vem aumentando nos últimos anos, em parte pelo envelhecimento da população e pelo crescimento de fatores de risco como obesidade, diabetes, síndrome dos ovários policísticos e uso de reposição hormonal apenas com estrogênio, sem progesterona.

O principal sinal de alerta do câncer de endométrio: sangramento após a menopausa
Um dos pontos mais importantes sobre o câncer de endométrio é que ele costuma dar sinais precoces. O principal deles é o sangramento após a menopausa.
Qualquer sangramento que ocorra depois da menopausa não deve ser considerado normal e precisa ser investigado. Muitas mulheres recebem o diagnóstico ainda em fase inicial justamente porque percebem esse sinal e procuram atendimento médico.

Como é feito o diagnóstico?
A investigação costuma seguir dois passos:
Quando há suspeita, a histeroscopia com biópsia costuma ser um exame fundamental. Por meio de uma microcâmera, o médico avalia o interior do útero e retira uma pequena amostra do tecido suspeito para análise laboratorial.
É essa biópsia que confirma o diagnóstico e ajuda a definir os próximos passos do tratamento.
A revolução da classificação molecular
Durante muito tempo, o tratamento do câncer de endométrio era definido principalmente pela aparência das células no microscópio, ou seja, pela histologia.
Hoje, sabemos que o câncer de endométrio não é uma doença única. Existem diferentes subtipos, com comportamentos distintos, respostas diferentes aos tratamentos e prognósticos variados.
Por isso, as diretrizes internacionais recomendam a avaliação de marcadores imuno-histoquímicos e moleculares. Esses testes ajudam a entender melhor o perfil do tumor e permitem uma conduta mais personalizada.
Entre os principais marcadores avaliados para o câncer de endométrio estão:
- Proteína p53: quando está alterada, pode indicar um tumor mais agressivo e maior necessidade de tratamentos complementares.
- Proteínas de reparo do DNA, como MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2: quando há falha nesses mecanismos, o tumor pode responder melhor à imunoterapia e também pode levantar suspeita para condições hereditárias, como a Síndrome de Lynch.
- Gene POLE: algumas mutações estão associadas a excelente prognóstico e podem influenciar a intensidade do tratamento após a cirurgia.
- Receptores hormonais de estrogênio e progesterona: ajudam a identificar se o tumor pode responder a estratégias hormonais em determinados contextos.
Com essas informações, o tratamento deixa de ser baseado apenas no tipo histológico e passa a considerar também a biologia do tumor. Isso representa um avanço importante na oncologia ginecológica.
Estadiamento: entendendo a extensão da doença
O estadiamento mostra se o câncer está restrito ao útero ou se já se espalhou para outras regiões. Essa avaliação é essencial para definir o tratamento mais adequado.
Na maioria dos casos, o tratamento inicial envolve cirurgia para retirada do útero, trompas e ovários. A depender do caso, também pode ser necessária a avaliação dos linfonodos.
Um avanço importante nesse contexto é a técnica do linfonodo sentinela. Em vez de retirar todos os gânglios da pelve, o cirurgião identifica e remove apenas o primeiro linfonodo que drena a região do tumor. Isso pode trazer precisão oncológica com menor risco de efeitos colaterais, como inchaço crônico nas pernas.
Além disso, o sistema de estadiamento da FIGO passou a incorporar características moleculares do tumor, reforçando a importância de uma avaliação mais individualizada.
A era da imunoterapia no câncer de endométrio
Quando o câncer de endométrio é diagnosticado em fase inicial, as chances de controle e cura costumam ser melhores. Em muitos casos, a cirurgia pode ser suficiente ou ser complementada com radioterapia local, chamada braquiterapia.
Nos casos avançados ou quando a doença retorna, a imunoterapia tem se destacado como um dos maiores avanços recentes.
Medicamentos como dostarlimabe e pembrolizumabe, especialmente quando combinados à quimioterapia em contextos específicos, têm mostrado resultados relevantes em estudos clínicos. Para pacientes com falhas nas proteínas de reparo do DNA, os benefícios podem ser ainda mais expressivos.
A imunoterapia não ataca diretamente o tumor. Ela atua estimulando o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas.
O câncer de endométrio é uma doença séria, mas os avanços da medicina trouxeram novas possibilidades de diagnóstico, classificação e tratamento.
A chave continua sendo o diagnóstico precoce. Por isso, sangramentos após a menopausa nunca devem ser ignorados.
Quando o diagnóstico é confirmado, a avaliação especializada permite definir um plano de tratamento individualizado, considerando cirurgia, estadiamento, testes moleculares e, quando indicado, terapias inovadoras como a imunoterapia.
Informação, atenção aos sinais do corpo e acompanhamento médico adequado são aliados fundamentais no cuidado da saúde da mulher.

Perguntas frequentes sobre câncer de endométrio
1. O que é câncer de endométrio?
É um tumor que se desenvolve no endométrio, a camada interna do útero. Ele ocorre quando as células dessa região passam a se multiplicar de forma desordenada.
2. Sangramento após a menopausa pode ser sinal de câncer de endométrio?
Sim. Todo sangramento após a menopausa deve ser investigado. Embora nem sempre esteja relacionado ao câncer, esse é um dos principais sinais de alerta da doença.
3. Como é feito o diagnóstico do câncer de endométrio?
O diagnóstico pode envolver ultrassom transvaginal, histeroscopia e biópsia do endométrio. A confirmação é feita pela análise do tecido em laboratório.
4. O câncer de endométrio tem cura?
Quando diagnosticado em fase inicial e tratado corretamente, as chances de controle e cura costumam ser melhores. O prognóstico depende do estágio da doença e das características do tumor.
5. O que mudou no tratamento do câncer de endométrio?
Além da cirurgia, os testes moleculares e a imunoterapia têm permitido tratamentos mais personalizados, especialmente em casos avançados ou recorrentes.

Um grande abraço,
Dr. Tiago Castilho
Cirurgião oncológico com atuação em cirurgia de endometriose profunda e oncologia ginecológica.
Atendimentos em Maringá-PR e online.
CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844
Referências
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