Uma das maiores diferenças entre uma cirurgia “ok” e uma cirurgia bem planejada em endometriose é simples: saber antes o máximo possível sobre onde está a doença.
Saber a localização exata da endometriose muda:
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A equipe multidisciplinar que será necessária;
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O tempo cirúrgico estimado;
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A estratégia por compartimentos da pelve;
- A orientação pré e pós-operatória;
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E principalmente, a segurança e o sucesso do pós-operatório.
Eu sou Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação exclusiva em cirurgia de endometriose, e recebo muitas pacientes com a mesma dúvida: “Que exame eu preciso fazer antes de operar?”
Vamos ao que é prático.
“Mapear” a pelve é diferente de “confirmar” a doença
Para a cirurgia, mapear é muito mais importante do que apenas confirmar.
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Confirmar: Responde “é endometriose?”.
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Mapear: Responde “onde está, qual a profundidade, quais órgãos atingiu e qual o risco?”.
1. Ultrassom transvaginal para rastreamento de endometriose
Quando realizado por um profissional experiente e com protocolo sistematizado (baseado no consenso do IDEA Group), este exame:
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Avalia os ovários (endometrioma);
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Identifica sinais de doença profunda;
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Prevê aderências e necessidade de equipe adicional (urologia/proctologia).
O IDEA Group publicou um consenso para padronizar o laudo, assim como, descrever e procurar lesões.
O que você deve procurar no laudo: descrição por compartimentos (anterior, médio e posterior), menção aos ligamentos uterossacros, área retrocervical, paracolpo, avaliação de reto/sigmoide, bexiga e ureteres, descrição de endometrioma (o tamanho é um dos dados mais utilizados para tomada de decisões).
2. Ultrassom com preparo intestinal: quando faz diferença?
O preparo intestinal melhora a visualização do reto e sigmoide, aumentando a precisão na descrição de nódulos intestinais. É essencial quando há suspeita de doença intestinal.
3. Ressonância Magnética (RM): quando pedir?
A ressonância é recomendada quando:
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O ultrassom é inconclusivo;
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Há suspeita de doença profunda complexa;
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É necessária uma visão mais ampla, como o comprometimento de grandes nervos.
A ESUR( European Society of Urogenital Radiology) publicou diretrizes de protocolo para ressonância em endometriose (preparo do paciente, sequências e critérios de reporte), reforçando o papel da RM como exame adicional em casos complexos e para planejamento cirúrgico.
4. “Meu exame veio normal”: o que isso significa?
Dois pontos podem ser verdadeiros ao mesmo tempo:
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Exames podem não ver a endometriose superficial (que causa muita dor, mas tem focos pequenos).
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Um exame bem feito mapeia muito bem a doença profunda, sendo o braço direito do planejamento cirúrgico.
A própria Cochrane discute que, para endometriose pélvica “global”, nenhum exame substitui completamente a cirurgia diagnóstica; mas exames podem ser úteis para triagem e, principalmente, para planejamento quando conseguem prever localização.
5. Exames que QUASE NUNCA resolvem a dúvida cirúrgica
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Colonoscopia: Geralmente normal, pois a endometriose ataca a parede externa do intestino (serosa), e não o interior.
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Tomografia: Não é a primeira linha para mapeamento.
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Ultrassom genérico: Frequentemente “não vê” a doença porque não utiliza o protocolo específico de pesquisa.
Checklist prático: o que levar para a consulta cirúrgica
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Laudos e imagens (CD ou link) de ultrassom/RM;
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Lista de sintomas relacionados ao ciclo;
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Histórico de tratamentos e cirurgias prévias;
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Seu objetivo principal (alívio da dor ou fertilidade?).
O melhor exame é aquele feito com protocolo para endometriose, por um profissional experiente, e que responde à pergunta principal: “onde está a doença e qual a sua complexidade?”
Quer organizar seus exames e entender a real necessidade de cirurgia?
Realizamos o mapeamento e planejamento estratégico para o seu caso. Atendemos pacientes do Paraná, outros estados e também do exterior (Inglaterra, Nova Zelândia, Israel) que buscam uma avaliação precisa para o planejamento do tratamento.
Dr. Tiago Castilho
cirurgião oncológico com atuação em cirurgia de endometriose.
Atendimentos em Maringá-PR e online.
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FAQ – Dúvidas Frequentes
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Preciso sempre de ressonância?
Não. Muitas vezes o ultrassom especializado já entrega o mapeamento principal. -
Preparo intestinal é obrigatório?
Teoricamente não para todas. É mais útil quando há suspeita de doença intestinal. -
O ultrassom “normal” exclui a endometriose?
Não exclui, especialmente a doença superficial. -
Qual exame é melhor: ultrassom ou ressonância?
Depende do caso. Em geral, ultrassom é primeira linha; RM complementa em casos complexos. -
Posso operar sem esses exames?
Operar sem mapeamento reduz a previsibilidade e pode comprometer sua segurança.
