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Dor nas costas pode ser endometriose e você não sabia


A dor começa na parte de baixo das costas um ou dois dias antes da menstruação e cede logo após o fim do sangramento.

Em parte das vezes, a dor lombar ligada ao ciclo menstrual tem uma explicação fisiológica simples. No entanto, quando ela se repete com frequência, piora com o tempo ou não responde aos remédios comuns, pode ser o primeiro sinal de uma condição pélvica que exige investigação. Neste texto, explico como diferenciar um incômodo temporário de algo que pede atenção médica.

Por que a menstruação causa dor nas costas?

Para expelir o sangramento, o útero precisa se contrair, e essas contrações são impulsionadas pela liberação de substâncias chamadas prostaglandinas. O detalhe anatômico é que o útero e a região lombar compartilham vias nervosas muito próximas na pelve. Por isso, a dor gerada pelas contrações uterinas frequentemente se irradia para as costas, quadris e coxas.

Essa queixa é extremamente prevalente. Estudos científicos com mais de 21 mil mulheres jovens mostram que cerca de 71% delas relatam dor durante o período menstrual. A cólica comum — aquela que não está associada a nenhuma doença pélvica — costuma durar de 12 a 72 horas e cede com os cuidados habituais.

Dor lombar na menstruação é normal?

A dor nas costas durante o ciclo pode ser frequente, mas isso não significa que qualquer intensidade deva ser aceita como normal. Uma dor leve, que dura um ou dois dias e melhora com a medicação orientada pelo médico sem impedir você de trabalhar, estudar ou dormir, faz parte da cólica fisiológica.

Por outro lado, a dor que muda de padrão, se torna progressivamente mais forte a cada mês ou obriga você a cancelar compromissos deixa de ser uma reação natural e exige uma avaliação médica especializada.

Principais causas de dor lombar na menstruação

No consultório, avaliamos diferentes origens para esse sintoma:

Cólica menstrual comum (dismenorreia primária): provocada pelas contrações normais do útero, a dor se espalha para a região lombar e costuma surgir pouco antes ou no início do fluxo menstrual.

Endometriose: na doença, o tecido semelhante ao endométrio se instala em estruturas fora do útero, como nos ligamentos uterossacros (que sustentam o útero por trás), peritônio, ovários e parede intestinal. Essa inflamação crônica na parte posterior da pelve causa dores profundas na lombar que podem irradiar pelas pernas. Publicações recentes na literatura médica destacam casos de pacientes jovens com dores incapacitantes nas costas e membros inferiores que só encontraram alívio após o diagnóstico e tratamento adequado da endometriose.

Adenomiose e miomas: na adenomiose, o tecido endometrial cresce dentro da própria musculatura do útero, enquanto os miomas são nódulos benignos na parede uterina. Ambas as condições aumentam o volume e as contrações do órgão, gerando cólicas intensas e dor lombar associada a sangramentos volumosos.

Causas gastroenterológicas e musculoesqueléticas: condições como a Síndrome do Intestino Irritável podem se acentuar no período menstrual devido às alterações hormonais, assim como problemas de coluna pré-existentes (como hérnias de disco ou alterações posturais) podem ficar mais sensíveis durante o ciclo.

Quando investigar a dor lombar na menstruação?

Você deve procurar uma consulta médica dedicada se observar estes sinais de alerta:

  • A dor nas costas piora progressivamente a cada mês ou muda de intensidade com o tempo.
  • A dor aparece de um único lado ou persiste mesmo fora do período menstrual.
  • Existem outros sintomas associados no ciclo: dor para evacuar, dor ao urinar, inchaço abdominal frequente ou dor profunda na relação sexual.
  • Há dificuldade para engravidar.
  • Falta de resposta ao tratamento: a dor não melhora após 3 a 6 meses de uso de anti-inflamatórios ou anticoncepcionais prescritos.
  • A dor compromete sua qualidade de vida, provocando faltas no trabalho ou alterações na sua rotina.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento rápido?

Busque atendimento médico imediato se a dor lombar vier acompanhada de febre, calafrios, sangramento vaginal excessivo fora do padrão ou sinais de anemia, como cansaço extremo, tontura e palidez.

Como é feita a investigação?

A investigação diagnóstica tem início a partir de uma avaliação cuidadosa dos sintomas e do exame físico especializado. Para mapear se a endometriose é a causa da dor lombar, a confirmação depende de exames de imagem para endometriose, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve, conduzidos por radiologistas experientes em mapeamento pélvico.

Quando a dor nas costas vem acompanhada de dor na relação sexual ou alterações no intestino ao longo do ciclo, a probabilidade de encontrarmos uma causa pélvica estrutural aumenta significativamente.

Qual é o tratamento adequado?

O tratamento deve ser individualizado conforme a causa identificada. Na cólica menstrual comum, o controle é feito com analgésicos, anti-inflamatórios ou terapia hormonal prescritos pelo seu médico ginecologista.

Na endometriose, o tratamento clínico é a abordagem inicial para o controle dos sintomas. Porém, quando a dor é refratária aos medicamentos ou há comprometimento de órgãos com risco de complicações (como a suboclusão intestinal), o tratamento cirúrgico especializado torna-se a indicação primária. Entenda melhor sobre essas indicações no meu artigo sobre quando a cirurgia é indicada e como a endometriose silenciosa afeta a fertilidade.

Perguntas frequentes sobre dor lombar na menstruação

1. Sentir dor lombar na menstruação é normal?

É comum, mas não deve ser considerada normal se for forte. Uma dor leve e passageira costuma ser fisiológica. Dor intensa, progressiva ou incapacitante precisa ser investigada.

2. Dor nas costas no período menstrual pode ser sinal de endometriose?

Sim. Quando a endometriose atinge os ligamentos de sustentação do útero ou a região posterior da pelve, a dor lombar é um dos sintomas característicos.

3. Por que a dor nas costas pode começar antes de a menstruação descer?

Porque as prostaglandinas começam a ser liberadas um ou dois dias antes do sangramento, iniciando as contrações uterinas e estimulando os nervos da região pélvica e lombar.

4. A dor lombar pode ser o sintoma mais forte do ciclo?

Sim. Em algumas mulheres, a irradiação nervosa faz com que o desconforto nas costas seja mais perceptível do que a própria cólica na parte baixa da barriga.

5. O uso de anti-inflamatórios por conta própria resolve o problema?

O anti-inflamatório pode aliviar temporariamente a cólica comum, mas não trata a causa subjacente de doenças como a endometriose. Se você precisa de remédios todo mês ou se a dor persiste por mais de 3 a 6 meses, consulte um especialista.

Investigação e cuidado especializado

Uma dor que se repete mensalmente seguindo o ritmo do seu ciclo não é um mero detalhe: é um dado clínico valioso que merece ser investigado com atenção.

Há mais de 10 anos, dedico minha trajetória ao diagnóstico e tratamento cirúrgico de mulheres com endometriose profunda e dor pélvica crônica. Minha atuação integra cirurgia minimamente invasiva (videolaparoscopia e cirurgia robótica) dentro do conceito Cuidado 360º.

Se você convive com dores lombares intensas na menstruação, agende uma avaliação presencial em Maringá-PR ou por telemedicina pelo telefone (44) 99169-8161.

Dr. Tiago Castilho

Um grande abraço,

Dr. Tiago Castilho
Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença.
CRM-PR 22590  |  RQE 2911  |  RQE 844

Referências bibliográficas

  • MacGregor B, Allaire C, Bedaiwy MA, Yong PJ, Bougie O. Disease burden of dysmenorrhea: impact on life course potential. Int J Womens Health. 2023;15:499-509.
  • Dixon S, Hirst J, Taghinejadi N, Duddy C, Vincent K, Ziebland S. What is known about adolescent dysmenorrhoea in (and for) community health settings? Front Reprod Health. 2024;6:1394978.
  • Vergara M, Ceron D, Giglioni G, Di Crescenzo G, Burani E. Endometriosis as a differential diagnosis in a 17-year-old patient with low back and radicular pain: a case report. Women. 2025;5(3):28.
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